O cooperativismo brasileiro chega a 2026 demonstrando força econômica, crescimento e capacidade de gerar impacto em diferentes setores. Mas, à medida que as cooperativas aumentam sua participação na economia, também cresce a responsabilidade de dirigentes, conselheiros e lideranças.

Os números mais recentes mostram a dimensão desse movimento.

Segundo o Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, com dados referentes ao final de 2025, o Brasil reúne 4.400 cooperativas, mais de 29 milhões de cooperados e 613 mil empregos diretos. O setor movimentou aproximadamente R$ 848 bilhões em ingressos e acumulou R$ 1,6 trilhão em ativos.

Esses números demonstram que o cooperativismo deixou há muito tempo de ser apenas uma alternativa de organização econômica. Hoje, representa uma estrutura empresarial relevante, presente na produção agropecuária, crédito, saúde, infraestrutura, transporte, consumo e prestação de serviços.

Mas crescimento também traz novos desafios.

Gestão profissional tornou-se indispensável

Quanto maior uma organização, maior a necessidade de processos claros, controles eficientes e decisões fundamentadas.

Nas cooperativas, esse desafio é ainda mais importante porque existe uma característica particular: os cooperados também são os proprietários do negócio.

Isso exige equilíbrio entre participação democrática, sustentabilidade econômica, responsabilidade dos administradores e visão estratégica.

Nesse cenário, conselhos de administração e conselhos fiscais deixam de exercer apenas uma função formal.

Eles passam a ocupar uma posição decisiva na sustentabilidade da organização.

Um conselheiro preparado precisa compreender informações financeiras, indicadores de desempenho, riscos, planejamento, governança e os impactos das decisões tomadas pela cooperativa.

A capacitação, portanto, não deve ser vista somente como cumprimento de uma obrigação.

Ela é parte da própria segurança da gestão.

Liderança também está mudando

Outro desafio relevante está na formação das lideranças.

Dados de governança divulgados pelo Sistema OCB mostram que, entre os dirigentes das cooperativas brasileiras em 2025, aproximadamente 60% dos homens e 43,8% das mulheres tinham mais de 50 anos. Ao mesmo tempo, a participação das novas gerações ainda é menor nas estruturas de direção.

Isso coloca uma questão importante para muitas organizações:

Quem serão as próximas lideranças?

Preparar sucessores, identificar novos líderes e desenvolver competências de gestão passa a ser uma necessidade estratégica.

Uma boa liderança cooperativista precisa combinar diferentes habilidades:

  • capacidade de ouvir;

  • comunicação;

  • conhecimento do negócio;

  • responsabilidade na tomada de decisão;

  • compreensão dos princípios cooperativistas;

  • visão estratégica;

  • capacidade de trabalhar coletivamente.

Liderar não significa apenas ocupar uma função.

Significa estar preparado para assumir responsabilidade sobre decisões que afetam cooperados, funcionários, clientes e comunidades.

Dados estão ganhando espaço nas decisões

Outro movimento importante em 2026 é o crescimento da gestão orientada por dados.

O Sistema OCB destacou recentemente a importância da cultura de dados para aumentar produtividade, inovação e resiliência das cooperativas. Informações organizadas e indicadores confiáveis permitem decisões menos baseadas apenas em percepção e mais fundamentadas em evidências.

Esse processo muda também o papel dos gestores e conselheiros.

Não basta receber relatórios.

É necessário compreender o que os números representam.

Indicadores financeiros, fluxo de caixa, resultados, desempenho operacional e projeções precisam ser interpretados para apoiar decisões.

É justamente nesse ponto que conhecimento técnico e experiência prática precisam caminhar juntos.

Inteligência Artificial já entrou nas cooperativas

A transformação tecnológica também chegou com velocidade.

Pesquisa divulgada pelo Sistema OCB aponta que 60,9% das cooperativas pesquisadas já utilizam alguma solução de Inteligência Artificial. No entanto, apenas 9,4% afirmam possuir uma política institucional consolidada sobre o uso dessa tecnologia.

Esse dado mostra uma situação interessante.

A tecnologia está avançando mais rapidamente do que a governança sobre seu uso.

Isso cria novas responsabilidades para dirigentes e gestores.

Não se trata apenas de aprender a utilizar Inteligência Artificial, mas de discutir:

  • onde ela pode ser utilizada;

  • quais informações podem ser compartilhadas;

  • quais riscos precisam ser controlados;

  • como garantir segurança e responsabilidade;

  • como utilizar tecnologia sem perder o componente humano da gestão.

Novamente, formação e preparação tornam-se fundamentais.

Crescimento exige pessoas preparadas

Os números do cooperativismo mostram uma estrutura econômica cada vez maior.

Mas nenhuma organização cresce de maneira sustentável apenas com tecnologia, capital ou infraestrutura.

Pessoas continuam tomando decisões.

Conselheiros analisam.

Gestores planejam.

Líderes conduzem equipes.

Cooperados participam das decisões.

Por isso, um dos principais investimentos das organizações continuará sendo o desenvolvimento das pessoas responsáveis por conduzi-las.

Cursos, treinamentos e programas de capacitação precisam estar conectados com problemas reais das organizações e não apenas apresentar conceitos teóricos.

Conhecimento gera valor quando pode ser aplicado.

Governança, liderança e estratégia precisam caminhar juntas

Uma cooperativa sustentável depende de três elementos que estão diretamente relacionados:

Governança, para definir responsabilidades, controles e transparência.

Liderança, para mobilizar pessoas e transformar decisões em ações.

Estratégia, para definir onde a organização pretende chegar e quais caminhos serão utilizados.

Quando esses três elementos funcionam juntos, a organização aumenta sua capacidade de enfrentar mudanças, identificar oportunidades e tomar decisões mais seguras.

Quando trabalham de forma isolada, surgem dificuldades.

Uma excelente estratégia sem liderança dificilmente será executada.

Uma liderança forte sem governança pode gerar riscos.

Uma boa governança sem visão estratégica pode apenas administrar o presente.

O desafio é desenvolver os três.

Preparar hoje as decisões de amanhã

O cooperativismo brasileiro continua crescendo e ocupando espaços importantes na economia e nas comunidades.

Esse crescimento representa oportunidade, mas também responsabilidade.

As organizações que investirem na formação de conselheiros, gestores e lideranças estarão mais preparadas para interpretar mudanças, utilizar novas tecnologias, enfrentar riscos e aproveitar oportunidades.

Mais do que acompanhar transformações, será necessário aprender continuamente.

Porque organizações fortes começam com pessoas preparadas para tomar boas decisões.

JBS Palestras e Cursos
Educação, formação e conhecimento aplicados à realidade das organizações.